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Economia da Argentina recua 1,7% em agosto sob risco de recessão

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Economia da Argentina recua 1,7% em agosto sob risco de recessão

PIB da Argentina recua 1,7% em agosto e acende alerta para risco de recessão econômica Segundo mês consecutivo de retração na atividade econômica do país vizinho coloca em dúvida a eficácia das políticas de ajuste fiscal e corte de gastos implementadas pelo governo de Javier Milei. A economia da Argentina registrou uma queda de 1,74% em agosto deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado negativo acendeu o alerta entre especialistas e economistas, que já apontam o risco concreto de o país vizinho entrar em um quadro de recessão técnica, impulsionado pelo impacto dos severos cortes de gastos públicos promovidos pela gestão do presidente Javier Milei. O levantamento do órgão estatístico oficial argentino aponta que esta é a segunda retração mensal consecutiva nos indicadores de atividade econômica. Em julho, a economia do país já havia apresentado uma queda expressiva de 2,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, além de uma redução de 1,5% na comparação direta com o mês de junho. Apesar da nova baixa anual em agosto, a margem mensal trouxe uma oscilação positiva de 0,1% em relação a julho. No entanto, o acumulado dos oito primeiros meses do ano aponta para um crescimento de apenas 1,2%, desacelerando em relação à alta de 1,7% registrada no acumulado encerrado em julho, o que evidencia a perda de fôlego da segunda maior economia da América do Sul. Para a economista Clara Brenck, professora adjunta do Departamento de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (Made/USP), a Argentina caminha perigosamente rumo à recessão. Segundo ela, o aumento expressivo no índice de desemprego corrobora esse diagnóstico pessimista sobre o cenário macroeconômico atual. A especialista destaca que o único ponto positivo evidente no horizonte recente é a contenção da inflação, embora ressalte que essa conquista permaneça altamente dependente da oscilação e da volatilidade da cotação do dólar. O detalhamento do Indec por setores revela que a derrocada da economia argentina em agosto foi puxada principalmente por quedas drásticas em áreas estratégicas. O setor de pesca despencou 15,7%, seguido por reduções na intermediação financeira, que caiu 3,8%; no comércio atacadista, varejista e de reparações, com retração de 3,5%; na indústria manufatureira, que recuou 3,2%; em transportes e comunicações, com baixa de 2,9%; e na construção civil, que encolheu 2,5%. Em contrapartida, os números positivos que evitaram um estrangulamento ainda mais severo da atividade vieram de setores específicos e voltados prioritariamente ao mercado externo. A mineração e o petróleo lideraram as altas com um crescimento expressivo de 11,1%, seguidos pelo segmento de eletricidade, gás e água, que avançou 4,3%, e pelo setor de hotéis e restaurantes, com alta de 3,1%. A professora Ana Brenck avalia que são justamente os setores extrativistas e de energia que têm sustentado a economia e evitado um colapso ainda mais profundo, mas pondera que a dependência do mercado externo e dos preços internacionais impede qualquer comemoração antecipada. Para a pesquisadora, o crescimento de atividades desvinculadas da dinâmica doméstica não resolve a crise interna. Ela aponta com preocupação os tombos consecutivos na indústria e no comércio, setores vitais por serem os maiores empregadores de mão de obra na Argentina. Na avaliação da economista, as políticas de forte ajuste fiscal e corte de gastos implementadas pela administração de Javier Milei têm impacto direto sobre esse enfraquecimento. As promessas oficiais de que cortes de impostos e desregulamentações gerariam investimentos privados em massa e impulsionariam a atividade produtiva interna ainda não se traduziram em realidade prática. Apesar do cenário de alerta generalizado, a equipe econômica do governo federal argentino buscou destacar aspectos positivos nos indicadores divulgados. O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, recorreu às redes sociais para enfatizar a variação positiva de 0,1% registrada em agosto na comparação com julho, argumentando que a dinâmica atual mantém o indicador tendência-ciclo posicionado 6,6% acima do patamar verificado em dezembro de 2023. Caputo também salientou o desempenho das exportações agroindustriais durante o mês de setembro, período que, segundo o ministério, alcançou um volume recorde histórico para o mês. De acordo com o chefe da pasta econômica, nos primeiros nove meses do ano as vendas externas da agroindústria somaram 43,2 bilhões de dólares, registrando um crescimento de 13% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior e consolidando marcas históricas em volume exportado.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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