Aedes aegypti: quase metade dos municípios brasileiros está em alerta ou risco para dengue, zika e chikungunya Levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde aponta alta proliferação do vetor em 3.732 cidades avaliadas, mas infecções registram queda expressiva no país em relação ao ano anterior. Quase metade dos municípios brasileiros que enviaram informações ao governo federal, ou seja, 49,2% das cidades avaliadas, apresentou índices que indicam situação de alerta ou de risco para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da zika. O cenário foi revelado pelo segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para o vetor, o LIRAa, divulgado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde, após mapeamento realizado entre os meses de maio e agosto com dados de 3.732 administrações locais. Apesar da alta infestação do inseto em expressiva parcela do território nacional, o cenário epidemiológico aponta uma melhora significativa no número de infecções em comparação ao ciclo anterior. O Brasil registrou uma queda de aproximadamente 70% nos casos prováveis de dengue em 2026, contabilizando 470,5 mil ocorrências até o dia 26 de setembro, contra 1,5 milhão de registros contabilizados no mesmo período do ano passado. O levantamento oficial também apontou reduções expressivas nas outras duas arboviroses transmitidas pelo vetor, com retração de 43% nos casos de chikungunya, que passaram de 118.885 para 67,9 mil registros, e queda de 35% nas notificações de zika, que recuaram de 3.724 para 2.141 ocorrências. Os indicadores detalhados pelo LIRAa mapearam ainda onde estão concentrados os principais criadouros do mosquito, revelando que a maior parte dos focos continua concentrada em recipientes simples do cotidiano encontrados dentro e nos arredores das residências. Os vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes do dia a dia lideram o ranking de proliferação, respondendo por 42,3% dos focos identificados, seguidos pelos reservatórios de água, como caixas d’água, tonéis e cisternas, que concentram 26,1% das ocorrências, enquanto pneus, lixo e resíduos sólidos como latas, garrafas PET e entulhos somam 23% dos locais de reprodução do inseto. O perfil dos criadouros varia de acordo com as características de cada região do país, exigindo estratégias específicas de combate por parte das prefeituras. Na Região Norte, a presença do vetor é predominante em pneus e lixo, enquanto no Nordeste os focos se concentram principalmente em caixas d’água e reservatórios destinados ao armazenamento de água. Já nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o problema é mais recorrente em vasos, pratos de plantas, garrafas e recipientes domésticos. Com o cruzamento desses dados geográficos, as equipes de vigilância epidemiológica municipal conseguem direcionar o trabalho dos agentes de endemias para os pontos mais vulneráveis de cada localidade. Diante da proximidade do verão, período marcado por temperaturas mais altas que favorecem a reprodução do vetor, o Ministério da Saúde anunciou a adoção antecipada de medidas preventivas por parte de estados, municípios e da população. A estratégia também busca mitigar os impactos do avanço do El Niño, fenômeno climático natural que altera os padrões globais de chuvas e temperaturas, gerando eventos extremos em várias regiões do mundo que podem potencializar a proliferação de vetores. Entre as principais frentes de atuação anunciadas estão a formação de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde até o final do ano para visitas domiciliares de orientação e identificação de riscos, além da atuação contínua dos Agentes de Combate às Endemias no tratamento de locais críticos onde os criadouros não podem ser eliminados. O arsenal tecnológico de combate ao Aedes aegypti inclui ainda o uso de ovitrampas, armadilhas destinadas à coleta de ovos e ao mapeamento de áreas críticas já adotadas por órgãos de saúde pública em cerca de dois mil municípios. O governo federal também tem apostado na Borrifação Residual Intradomiciliar em imóveis de grande circulação, como escolas e unidades de saúde, na utilização de Estações Disseminadoras de Larvicida, que aproveitam o próprio inseto para espalhar o produto em criadouros de difícil acesso, e na expansão do método Wolbachia, estratégia biológica que introduz uma bactéria no mosquito para impedir a transmissão dos vírus. Apesar dos investimentos em tecnologia e do trabalho das equipes de saúde, o Ministério da Saúde reforça que o sucesso no controle das doenças depende diretamente da participação ativa da população por meio de vistorias regulares nos domicílios. Entre as recomendações fundamentais para evitar a proliferação estão manter caixas d’água, tonéis e cisternas rigorosamente tampados, guardar baldes e garrafas virados para baixo, realizar a limpeza frequente de calhas e ralos, dar o destino correto a pneus, latas e entulhos, e eliminar completamente a água acumulada em pratos de vasos de plantas para impedir o ciclo de desenvolvimento do mosquito.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







