Golpe do Airbnb: Hóspede finge ser dona de casa em SC e vende móveis por R$ 3,8 mil Suspeita alugou imóvel em Balneário Rincão, contratou caminhão de mudanças para levar eletrodomésticos e camas, e ainda convenceu vizinhos de que havia comprado a residência. O que deveria ser uma locação comum por temporada em Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina, transformou-se em um caso de polícia e investigação por estelionato. Uma mulher que se hospedou em uma casa alugada por meio da plataforma Airbnb é apontada pela Polícia Civil como a principal suspeita de retirar e comercializar praticamente todos os móveis e eletrodomésticos do local, gerando um prejuízo expressivo estimado pelo proprietário em cerca de R$ 17 mil. A ação criminosa chamou a atenção pela ousadia. Para não levantar suspeitas entre os moradores da vizinhança durante a retirada dos bens, a suspeita adotou uma estratégia calculada: passou-se pela nova proprietária do imóvel. De acordo com o relato do dono da residência — cuja identidade foi preservada pelas autoridades —, a mulher abordou moradores locais, incluindo a vizinha da frente, para justificar a movimentação de itens. Na ocasião, ela afirmou convictamente que o imóvel havia sido vendido e que ela própria era a nova dona, acrescentando que a retirada dos pertences antigos estaria ocorrendo a pedido do antigo proprietário. O episódio teve início quando a mulher realizou a locação do imóvel na manhã do dia 23 de setembro. O plano foi executado de forma rápida, já que o check-out e a desocupação da casa ocorreram logo no dia seguinte, em 24 de setembro. O esquema só veio à tona quando o proprietário, após o horário combinado para o encerramento da estadia, deslocou-se até a residência com o objetivo de organizar o espaço para os próximos hóspedes. Ao entrar no imóvel, deparou-se com os cômodos praticamente vazios. Diante da situação, o anfitrião acionou imediatamente as forças de segurança e registrou um boletim de ocorrência para formalizar o sumiço dos bens. Investigação e o papel da vizinhança Ao conversar com vizinhos e moradores da região para entender o que havia acontecido, a vítima descobriu detalhes cruciais sobre a dinâmica do crime. Os relatos confirmaram que um caminhão de mudanças havia sido contratado para recolher os pertences da residência à luz do dia, o que reforçou a farsa montada pela hóspede de que estaria apenas mobiliando ou limpando o espaço após uma suposta aquisição. A lista de itens levados do imóvel é extensa e revela o nível de esvaziamento promovido no local. Segundo levantamento da Polícia Civil de Criciúma, foram subtraídos duas camas box, quatro mesas de cabeceira, um sofá, três banquetas, um balcão de banheiro, uma televisão de 32 polegadas, uma máquina lava e seca e uma geladeira. Com as informações coletadas, a Polícia Civil iniciou as investigações para identificar e localizar a suspeita. Até o momento, a mulher — que continua sem ter o nome divulgado publicamente — não foi encontrada pelas autoridades policiais. As investigações, no entanto, ganharam novos contornos e revelam que esta não seria a primeira conduta suspeita da mulher. Segundo o delegado Márcio Neves, responsável pelo caso, ela também é investigada por aplicar golpes contra os próprios familiares. Destino dos móveis e recuperação A reviravolta na recuperação dos bens ocorreu graças a buscas feitas pelo próprio proprietário na internet. O dono da casa conseguiu rastrear os móveis após localizar uma publicação em redes sociais feita por uma loja de móveis usados. A apuração policial revelou que a hóspede havia vendido todo o recheio da casa — incluindo camas, sofá, televisão e diversos utensílios — para o estabelecimento comercial por apenas R$ 3,8 mil. O valor pago pela loja fica muito abaixo do preço de mercado dos produtos, que foram avaliados pelo dono em aproximadamente R$ 17 mil. A investigação apontou ainda uma ligação familiar no transporte dos itens: a loja de móveis usados pertencia a um parente do proprietário do caminhão que realizou o frete da mudança. Apesar do prejuízo inicial, a maior parte dos objetos foi recuperada pela polícia. O homem que adquiriu os móveis usados foi autuado por receptação culposa, modalidade que ocorre quando não há a intenção consciente ou o dolo de adquirir um produto de origem criminosa. Entre os itens, apenas o sofá não pôde ser devolvido de imediato ao proprietário, pois já havia sido repassado a outro cliente pela loja. Posicionamento do Airbnb Procurado para comentar o ocorrido, o Airbnb informou que adotou medidas imediatas em relação à usuária, suspendendo a conta da hóspede enquanto o caso é rigorosamente apurado. A empresa destacou que todas as reservas realizadas por meio da plataforma contam com a chamada Proteção contra Danos ao Anfitrião. O mecanismo é voltado para cobrir prejuízos causados aos proprietários em situações raras de danos ou furtos de itens durante o período da estadia, com cobertura de até 3 milhões de dólares. No aspecto operacional do suporte ao anfitrião, o Airbnb confirmou que assumiu os custos do frete necessários para retirar os móveis recuperados da loja de usados e devolvê-los ao imóvel em Balneário Rincão. Além disso, a companhia colocou à disposição das autoridades públicas uma equipe especializada no atendimento a investigações criminais, prestando total apoio para a elucidação do caso conduzido pela Polícia Civil de Santa Catarina.
Fonte: G1 Santa Catarina







