Economia circular na indústria: gargalos na medição do retorno financeiro desafiam o setor Levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que parte significativa das empresas ainda enfrenta obstáculos para mensurar o impacto financeiro de práticas como reciclagem, reuso e reparo. A transição para modelos sustentáveis de produção ainda esbarra em barreiras de gestão e mensuração dentro do parque fabril brasileiro, conforme revela uma nova pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento aponta que parte das empresas brasileiras adota práticas de economia circular, mas ainda não consegue relacionar de forma clara ações como reciclagem, reparo e reuso aos resultados financeiros reais de suas operações cotidianas. A dificuldade em mensurar o retorno sobre o investimento nessas iniciativas representa um dos principais entraves para a expansão do modelo no país. Embora o conceito ganhe força estratégica e apelo de mercado, a ausência de métricas consolidadas impede que gestores e executivos visualizem com precisão o impacto dos processos circulares no balanço contábil e na lucratividade a médio e longo prazo. Na prática industrial moderna, a economia circular propõe a eliminação do desperdício por meio do redesenho de produtos, componentes e materiais, mantendo-os em seu valor máximo pelo maior tempo possível. No entanto, sem ferramentas adequadas de controle e avaliação de desempenho financeiro, muitas indústrias tratam as iniciativas ecológicas apenas como cumprimento de exigências regulatórias ou ações de responsabilidade social, distanciando-as do núcleo da estratégia de negócios. Especialistas apontam que a incapacidade de traduzir a sustentabilidade em indicadores financeiros claros pode desacelerar os investimentos necessários para modernizar linhas de produção e capacitar equipes. A superação desse desafio passa pelo desenvolvimento de novas metodologias contábeis e de gestão que consigam capturar os ganhos econômicos invisíveis, como a redução na aquisição de matérias-primas virgens e a diminuição de custos com descarte de resíduos. A consolidação da economia circular no Brasil depende diretamente da capacidade do setor produtivo em integrar indicadores ambientais aos relatórios financeiros tradicionais. Enquanto essa ponte não for estabelecida de maneira eficiente, o potencial econômico da sustentabilidade industrial continuará subaproveitado por grande parte das empresas que buscam se adaptar às exigências do mercado global.
Fonte: Polícia SC







