Hóspede aluga imóvel por aplicativo em Santa Catarina, vende geladeira, TV e camas por R$ 3,8 mil e é indiciada por furto qualificado Inquérito policial aponta que suspeita se passou por enfermeira para cometer o crime em Balneário Rincão; prejuízo estimado pelo proprietário chega a R$ 17 mil em eletrodomésticos e mobiliário. Uma hóspede que utilizou uma plataforma de aluguel por temporada para alugar uma residência em Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina, foi indiciada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (2) pelos crimes de furto qualificado mediante fraude. A investigação, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Criciúma, revelou que a mulher esvaziou o imóvel, comercializando itens como geladeira, televisão e camas por uma fração muito abaixo do valor de mercado, gerando um prejuízo avaliado em R$ 17 mil para o proprietário. O caso teve início no dia 23 de setembro, data em que a reserva foi realizada. De acordo com o depoimento do dono do imóvel, que preferiu não ter a identidade revelada, a suspeita utilizou a própria identidade no cadastro da plataforma e se apresentou inicialmente como enfermeira de um hospital da região para tentar transmitir credibilidade. No dia seguinte ao check-in, a mulher entrou em contato para negociar o horário de saída, combinando que deixaria a casa ao meio-dia. No entanto, após o horário estipulado, o proprietário foi até o local para realizar a organização de rotina e percebeu que havia algo errado ainda antes de entrar na residência. Ao olhar pela janela, notou a ausência de diversos bens. Diante da constatação do sumiço dos móveis e eletrodomésticos, ele acionou imediatamente a Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência. Durante as diligências preliminares, o proprietário conversou com vizinhos e conseguiu obter a fotografia de um caminhão de mudanças que havia sido utilizado para realizar a retirada dos pertences da residência. Conforme apurado pelos moradores locais, a investigada tentou não levantar suspeitas ao longo da ação, afirmando aos vizinhos que havia acabado de comprar a casa e que, portanto, era a nova proprietária do imóvel. A investigação policial apontou que a totalidade dos móveis e equipamentos furtados foi repassada a uma loja de móveis usados localizada no município vizinho de Içara. O montante obtido com a venda ilegal foi de apenas R$ 3,8 mil, um valor expressivamente inferior aos R$ 17 mil estimados em prejuízos materiais pelo proprietário. Um PIX nesse valor exato foi fundamental para que os investigadores conseguissem rastrear e identificar a suspeita ao longo do inquérito. A lista de itens levados da residência inclui duas camas box, quatro mesas de cabeceira, um sofá, três banquetas, um balcão de banheiro, uma televisão de 32 polegadas, uma máquina lava e seca e uma geladeira. Com a conclusão do inquérito policial nesta sexta-feira, o procedimento investigativo foi integralmente encaminhado ao Poder Judiciário para as providências cabíveis. O avanço das apurações revelou ainda que a mulher também é alvo de outras investigações criminais. Durante o processo, os policiais civis mantiveram contato com os pais da investigada, que relataram não manter nenhum tipo de vínculo com a filha desde o mês de maio. Os familiares informaram às autoridades que ela responde por outros ilícitos, incluindo uma investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Combate ao Crime Organizado de Içara. Além disso, os pais registraram um boletim de ocorrência contra a filha após a realização de empréstimos fraudulentos utilizando o nome da própria mãe. De acordo com o delegado Márcio Neves, responsável pelas investigações em Criciúma, a conduta causou um dano financeiro considerável à genitora, embora os valores exatos dessa fraude não tenham sido divulgados publicamente. Até o momento, a Polícia Civil informou que não houve representação por pedido de prisão preventiva, sendo o foco atual das diligências localizar a paradeira da mulher para que ela possa prestar depoimento de forma voluntária. Caso seja condenada pelo crime de furto qualificado mediante fraude, a pena prevista no Código Penal brasileiro varia de dois a oito anos de reclusão, além de pagamento de multa. Por nota, o aplicativo Airbnb informou que a conta da usuária envolvida no caso foi devidamente suspensa enquanto o episódio é apurado pela empresa. A plataforma ressaltou que todas as reservas realizadas por meio do serviço contam com a chamada Proteção contra Danos ao Anfitrião, mecanismo que cobre prejuízos materiais em casos raros de danos ou furtos durante a estadia, com limite de até 3 milhões de dólares. O Airbnb destacou também que mantém uma equipe especializada voltada exclusivamente para prestar apoio e colaborar com autoridades públicas em eventuais investigações criminais.
Fonte: G1 Santa Catarina







