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Movimentação das bets cai R$ 652 milhões por dia após proibição

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Movimentação das bets cai R$ 652 milhões por dia após proibição

Bloqueio de apostas esportivas reduz movimentação diária em R$ 652 milhões no país Balanço divulgado por ministérios aponta queda expressiva no saldo de contas em plataformas online; governo reforça fiscalização, derruba milhares de sites ilegais e estabelece prazo para que apostadores façam o saque de recursos remanescentes. As medidas rigorosas adotadas pelo governo federal para restringir e encerrar as operações de apostas de quota fixa no Brasil já provocam impactos expressivos no setor. De acordo com um balanço oficial divulgado nesta sexta-feira (2), a movimentação diária nas plataformas de apostas online foi praticamente paralisada após a entrada em vigor da medida provisória que proibiu as chamadas bets. A avaliação foi apresentada conjuntamente pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Segundo Durigan, o fluxo financeiro diário que circulava por essas ferramentas digitais — estimado em mais de R$ 600 milhões antes das restrições — sofreu uma interrupção quase total. O ministro destacou que o volume diário de recursos que movimentava o mercado foi amplamente anulado pelas novas regras estabelecidas pelo Executivo. Os dados apresentados durante a coletiva revelam uma retração de 31% no montante total mantido pelos usuários nas plataformas. O saldo acumulado nas contas virtuais despencou de aproximadamente R$ 2,1 bilhões para R$ 1,453 bilhão desde o dia 26 de setembro, representando uma redução nominal de R$ 652,6 milhões em circulação no sistema. Apesar da forte queda nos números globais, o governo alerta que ainda existem R$ 1,453 bilhão depositados em contas associadas a 28,65 milhões de CPFs em todo o país. Diante do encerramento iminente das atividades das plataformas irregulares, a orientação oficial é para que os apostadores realizem o resgate de seus saldos o mais rápido possível. O prazo limite estipulado para o funcionamento dos sites e aplicativos encerra-se na próxima segunda-feira (5). Para reaver os valores retidos, os usuários devem obrigatoriamente solicitar o saque diretamente nas plataformas até as 23h59 da data limite. O cronograma estabelecido pelo governo prevê que, entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas de apostas repassem às instituições bancárias os saldos remanescentes pertencentes a cada apostador. A devolução do dinheiro aos titulares das contas deve ocorrer no período entre 9 e 14 de outubro. Caso as empresas falhem em realizar essa restituição no prazo estipulado, os montantes remanescentes serão transferidos para a Caixa Econômica Federal, que assumirá a responsabilidade legal de devolver os valores aos cidadãos. Ações de fiscalização e combate a sites ilegais Paralelamente à saída dos recursos por parte dos usuários, os órgãos de controle intensificaram o cerco contra a atuação clandestina no setor. Entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro, um total de 10.435 sites ilegais de apostas foi encaminhado para bloqueio técnico por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O Ministério da Justiça informou que essa nova leva de interrupções se soma a um esforço prévio que já havia derrubado cerca de 78 mil endereços eletrônicos na internet. A estratégia de fiscalização governamental foi ampliada para alcançar não apenas as páginas de apostas em si, mas toda a cadeia de suporte financeiro e tecnológico. As investigações e bloqueios passaram a mirar empresas mantenedoras dos portais e instituições financeiras responsáveis pelo processamento dos pagamentos dessas operações. Conforme as diretrizes anunciadas, sempre que forem identificadas transações ilícitas, as contas corporativas serão bloqueadas, e os ativos vinculados a essas práticas poderão ser revertidos para fundos de segurança pública, mediante observância dos devidos trâmites administrativos previstos em lei. Investigação de contas atípicas Durante o monitoramento financeiro das plataformas, as autoridades federais identificaram um grupo de 48 contas de usuários que apresentavam saldos superiores a R$ 500 mil. De acordo com o Ministério da Fazenda, essas situações específicas serão submetidas a uma auditoria e análise individualizada. Caso os exames preliminares apontem indícios de irregularidades ou comportamentos atípicos, os dados referentes a essas contas e titulares serão encaminhados aos órgãos competentes para a abertura de investigações formais. Reforço institucional na segurança Para sustentar o cerco regulatório e coibir crimes financeiros relacionados ao setor, o governo federal promoveu mudanças estruturais nos órgãos de segurança e defesa do consumidor. Um decreto publicado na quinta-feira (1º) oficializou a criação do Departamento de Fiscalização e Prevenção de Danos ao Consumidor, vinculado à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Na mesma linha, a Polícia Federal estruturou uma nova unidade estratégica: a Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos. O órgão contará com equipes especializadas dedicadas exclusivamente ao monitoramento de apostas ilegais e à apuração de denúncias e indícios de manipulação de resultados em competições esportivas no território nacional.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

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