Enem 2026 estreia apoio emocional e novas regras de acessibilidade para candidatos Inovação no exame deste ano inclui suporte para crises de ansiedade, TOC e fibromialgia, beneficiando mais de 138 mil solicitações de atendimento especializado confirmadas pelo Inep. Pela primeira vez na história do Exame Nacional do Enem, participantes com histórico de crises de ansiedade ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo poderão contar com um acompanhante ou cão de apoio emocional durante a realização das provas. A medida inédita, que também abrange outras alterações emocionais previstas no edital, passa a valer na aplicação que ocorre neste domingo, marcando um avanço nas políticas de inclusão do exame coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. De acordo com as regras estabelecidas pelo Inep, a presença do acompanhante foi condicionada à solicitação prévia realizada no momento da inscrição e à devida aprovação pelo órgão federal. O edital determina que o acompanhante permaneça em uma sala reservada, estritamente monitorada por fiscais, pronta para atuar nos casos em que o participante necessite de suporte imediato ou estabilização emocional durante a maratona de avaliações. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou em entrevista à Agência Brasil a relevância estratégica da presença de um acompanhante familiar no local de prova. Segundo o titular da pasta, o Enem tem como meta consolidar-se como um exame cada vez mais acessível e inclusivo, evoluindo ano após ano para atender às demandas reais dos estudantes brasileiros que necessitam de condições diferenciadas para demonstrar seus conhecimentos. Para esta edição, o Inep confirmou um total de 138.329 solicitações de atendimento especializado aprovadas em todo o país. Entre as inovações regulamentadas para o exame deste ano, destaca-se também a inclusão de candidatos diagnosticados com fibromialgia entre os perfis que dão direito ao atendimento especializado e à utilização de recursos de acessibilidade durante a avaliação. O impacto dessas adaptações é sentido diretamente por estudantes de diferentes regiões do país, como a jovem Maria Clara Gonçalves, de 18 anos, moradora de Cotia, em São Paulo. Diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade entre os 14 e 16 anos, após enfrentar dificuldades acentuadas no processo de aprendizagem, a estudante do terceiro ano do ensino médio aponta que a preferência por salas reduzidas é fundamental para minimizar as distrações ambientais causadas pelo ruído e pela movimentação típica de grandes locais de prova. Segunda a estudante, que pretende cursar medicina visando uma futura especialização em neurologia, a convivência em ambientes com dezenas de outros candidatos gera um desgaste cognitivo adicional para pessoas neurodivergentes. Para ela, contar com estruturas que compreendam essa realidade faz toda a diferença para o desempenho acadêmico, uma percepção compartilhada por quem já vivenciou o exame em edições anteriores sob condições adaptadas. É o caso de Isabella Magalhães, de 25 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista de nível 2, que realizou a prova com atendimento especializado em 2017, quando tinha 16 anos. Para Isabella, embora o conteúdo das disciplinas represente um desafio comum a todos os inscritos, o fator determinante para o sucesso na avaliação reside na capacidade de adaptação do ambiente físico, do controle do tempo de permanência e na mitigação dos estímulos sensoriais excessivos gerados pela aglomeração. Atualmente dedicada aos estudos para concursos públicos e ao planejamento de uma segunda graduação em biologia, Isabella avalia como positiva a sensibilidade crescente do governo em relação às necessidades desse público, ressaltando que o acolhimento institucional altera de forma profunda a experiência do candidato no dia do exame. Para auxiliar os estudantes a lidarem com a pressão do ambiente de prova, a psicopedagoga e coordenadora da clínica Follow Kids, no Rio de Janeiro, Giselle de Oliveira Araújo, enfatiza que o cérebro humano possui alta capacidade de adaptação, mas exige condições favoráveis para operar com eficiência. A especialista pontua que os estudantes neurodivergentes não devem se espelhar em padrões alheios de funcionamento, mas sim compreender suas próprias demandas e aplicar estratégias personalizadas. Segundo a orientadora, a autorregulação ocorre de maneiras distintas dependendo do transtorno, sendo comum que adolescentes com TDAH se beneficiem de pequenos movimentos físicos para recuperar o foco, enquanto estudantes autistas frequentemente necessitam de abordagens específicas para o gerenciamento de estímulos sensoriais excessivos no ambiente externo. Entre as recomendações práticas sugeridas pela especialista para momentos de sobrecarga cognitiva estão ações simples como apoiar firmemente os pés no chão, perceber o contato físico com a cadeira, relaxar os ombros, alongar as mãos, ajustar a postura corporal e realizar respirações lentas e controladas. Giselle reforça que pausas estratégicas não possuem um intervalo rígido pré-determinado, devendo ser acionadas sempre que o candidato perceber sinais evidentes de fadiga mental, como a releitura insistente de uma mesma frase ou a perda na organização do raciocínio lógico. A psicopedagoga alerta ainda que tais técnicas de relaxamento e redirecionamento de foco precisam ser testadas previamente pelos estudantes por meio de simulados, garantindo que os movimentos sejam discretos, eficazes e estejam em total conformidade com as normas rígidas de segurança estabelecidas para a aplicação do Enem. Os dados oficiais do Painel Enem 2026 ilustram a dimensão da demanda por inclusão no exame deste ano, apontando que as condições que motivaram o maior volume de solicitações de atendimento especializado e recursos de acessibilidade foram o déficit de atenção, presente em 51.724 pedidos, o equivalente a 37,39% do total, seguido pelos candidatos com Transtorno do Espectro Autista, que somam 34.723 solicitações, representando 25,1% dos registros aprovados. O levantamento do Inep também registra 9.792 pedidos de candidatos com baixa visão, o que corresponde a 7,04% do total, e 8.922 solicitações de participantes com deficiência intelectual, atingindo 6,45%. No que tange especificamente aos recursos de acessibilidade requeridos no ato da inscrição, destacam-se o tempo adicional para a realização da prova, com 77.956 pedidos equivalentes a 34,47% das demandas, a correção diferenciada, somando 42.379 registros, e o auxílio para leitura, requerido por 28.042 participantes. O painel de monitoramento do instituto engloba ainda quantitativos expressivos de outras ferramentas de inclusão, tais como salas acessíveis, auxílio para transcrição de respostas, provas impressas em braile, atuação de tradutores-intérpretes de Língua Brasileira de Sinais, além da autorização para o uso de aparelhos auditivos e implantes cocleares por parte dos candidatos habilitados. Como desdobramento da cobertura do exame, a Agência Brasil promoverá neste domingo, a partir das 19h30, a transmissão ao vivo da live Resenha do Enem. O programa especial contará com a participação de professores convidados para debater e analisar o nível de dificuldade das questões aplicadas, bem como os temas exigidos na redação, com retransmissão simultânea pelos canais oficiais no YouTube da Agência Brasil e da TV Brasil, além da rede de emissoras da Rádio Nacional.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







