Democratas dos EUA criticam governo Trump por conceder visto a Flávio Bolsonaro Comitê de Relações Exteriores da Câmara americana aponta duplo padrão na política migratória e acusa Casa Branca de ajudar parlamentar brasileiro a violar a legislação do próprio país. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos condenou duramente a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto de entrada ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à sua esposa e às suas duas filhas. A crítica foi formalizada nesta semana por meio de publicações nas redes sociais do órgão, controlado pelo Partido Democrata, que apontou um suposto tratamento privilegiado à família Bolsonaro em detrimento de migrantes que fogem de conflitos internacionais e crises humanitárias ao redor do globo. Na manifestação oficial divulgada na plataforma X, antigo Twitter, o comitê comparou a rigidez da atual política migratória estadunidense com a facilidade oferecida ao parlamentar brasileiro. A publicação destacou que, enquanto o governo norte-americano nega asilo a pessoas que escapam de guerras no Sudão e de conflitos no Haiti, o secretário de Estado, Marco Rubio, estaria estendendo o tapete vermelho para acolher Flávio Bolsonaro e seus familiares em território americano. O colegiado democrata também questionou os critérios adotados pela administração Trump para a emissão de vistos, argumentando que a fuga de contextos de violência extrema não tem sido suficiente para garantir refúgio nos Estados Unidos, enquanto a contestação de resultados eleitorais e investigações criminais parecem abrir portas no país. A referência ocorreu após Flávio Bolsonaro ser derrotado no segundo turno da eleição presidencial brasileira realizada no último domingo, quando perdeu a disputa para o reeleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Na mesma linha de críticas, o deputado federal democrata Joaquin Castro utilizou seu perfil no Instagram para reforçar que a derrota nas urnas não constitui motivo legal para a concessão de asilo político. Castro afirmou que, embora o parlamentar brasileiro enfrente investigações no Brasil por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas — além de ter tido ordens judiciais para entregar seus passaportes —, o governo Trump decidiu conceder refúgio a ele e à sua família em solo americano. Para o parlamentar norte-americano, a Casa Branca e o Departamento de Estado devem explicações formais ao Congresso dos Estados Unidos pelo papel desempenhado na facilitação da viagem de Flávio Bolsonaro, o que, segundo ele, representaria uma violação direta da legislação brasileira. A viagem que gerou o impasse internacional ocorreu nesta quarta-feira, quando o senador, sua esposa e suas duas filhas desembarcaram em Miami. O trajeto incluiu a saída clandestina do Brasil rumo à Argentina, cruzando a fronteira por via terrestre, seguida pelo embarque em uma aeronave privada com destino aos Estados Unidos e uma escala técnica realizada no Equador. A confirmação da fuga do parlamentar havia sido adiantada na terça-feira por um aliado próximo de Flávio Bolsonaro e por uma fonte do governo norte-americano à agência Reuters. O movimento aconteceu logo após o senador descumprir o prazo estipulado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega imediata de seus passaportes à Polícia Federal. A determinação de apreensão dos documentos de viagem foi expedida no âmbito de um inquérito em que Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro ao lado do advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Ambos negam veementemente a prática de qualquer irregularidade ou ilegalidade. A ordem do STF foi decretada na esteira de declarações públicas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que havia sugerido abertamente em uma transmissão ao vivo nas redes sociais que o senador deveria deixar o Brasil caso fosse derrotado na disputa presidencial, com o objetivo de liderar a oposição política brasileira a partir do exterior. Um dia antes de sua saída do país, após ser oficialmente intimado pela Suprema Corte brasileira, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais no qual negava qualquer intenção de abandonar o território nacional. Na gravação, ele afirmava que permaneceria no Brasil para articular e organizar a bancada de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, discurso que foi totalmente desmentido pela fuga consumada nas horas seguintes rumo a Miami.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







