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SC registra quatro feminicídios em menos de uma semana; casos crescem 21% em 2026

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SC registra quatro feminicídios em menos de uma semana; casos crescem 21% em 2026

Violência contra a mulher: SC registra quatro feminicídios em uma semana e alta de 21% nos casos em 2026 Crimes ocorridos entre 20 e 26 de outubro vitimaram produdora rural, professora e avó no estado; especialista aponta falhas na rede de proteção e cobra delegacias 24 horas. Luciana Menta, Daiana Gisele Müller, Marlei Nunes e Franciele Aparecida de Lima não se conheciam, mas foram tragicamente unidas pelo mesmo crime em um intervalo de apenas sete dias em Santa Catarina. Entre 20 e 26 de outubro de 2026, o estado contabilizou quatro feminicídios cometidos por ex-companheiros, elevando para 46 o número total de assassinatos de mulheres por razões de gênero entre 1º de janeiro e 27 de outubro deste ano, o que representa um crescimento de 21% na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 38 casos. O primeiro caso dessa sequência alarmante ocorreu na terça-feira (20), em Ipira, no Oeste catarinense. A produtora rural e mãe de dois filhos Daiana Gisele Müller, de 38 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro Lorival Mendes, da mesma idade. O crime chocou pela ineficácia imediata das barreiras de segurança: Daiana possuía uma medida protetiva de urgência havia apenas 12 dias e foi morta menos de uma hora após acionar o botão do pânico, ferramenta disponibilizada pela Polícia Militar no celular de vítimas para alertar forças de segurança sobre o descumprimento de restrições. Dois dias depois, na quinta-feira (22), a violência atingiu a cidade de Faxinal dos Guedes, também no Oeste. A professora Luciana Menta, de 54 anos, foi morta por asfixia pelo principal suspeito, Juvir Antonio Rebelatto, de 50 anos. O desaparecimento da educadora veio à tona após familiares perceberem sua ausência no trabalho e na escola onde buscaria a filha. Imagens de câmeras de segurança do condomínio registraram o suspeito saindo do local com uma volumosa sacola contendo o corpo da vítima antes de colocá-lo em um veículo. Questionado pela polícia após ser localizado em casa com base nas gravações, o homem confessou o crime. O terceiro caso da série trágica aconteceu na sexta-feira (23) em Cocal do Sul, no Sul catarinense, onde Marlei Nunes foi baleada enquanto segurava o próprio neto nos braços. A criança, neta da vítima, não sofreu ferimentos. Marlei resistiu aos ferimentos por dois dias, mas faleceu no domingo (25). Até a terça-feira (27), o autor dos disparos ainda não havia sido localizado pelas forças policiais. O último crime do período foi registrado em Vargem, no Oeste do estado. Franciele Aparecida de Lima, de 34 anos, foi morta a tiros na frente dos cinco filhos menores de idade. O principal suspeito, seu ex-companheiro, fugiu após cometer o homicídio e foi encontrado morto na terça-feira (27). Diante da escalada da violência e da gravidade dos casos recentes, especialistas em segurança pública e gênero apontam lacunas estruturais no atendimento às vítimas em Santa Catarina. Segundo a advogada Tammy Fortunato, especialista em questões de gênero, a ausência de delegacias especializadas com funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, representa um obstáculo central para a proteção das mulheres que buscam ajuda no estado. Apesar da ampliação de políticas públicas voltadas ao tema, Tammy avalia que ainda há falhas crônicas na integração entre os serviços de segurança pública, saúde, assistência social e educação. Para a especialista, o registro de boletins de ocorrência e a solicitação de medidas protetivas são insuficientes se o Estado não mantiver uma estrutura capaz de monitorar riscos continuamente e agir com rapidez diante de ameaças iminentes. A especialista também pontua barreiras tecnológicas no acesso aos canais digitais de denúncia. Embora o estado ofereça ferramentas online para o registro de ocorrências e pedidos de proteção, o sistema pode ser excessivamente complexo para pessoas leigas, especialmente para mulheres que já se encontram sob forte abalo emocional e em situação de vulnerabilidade extrema. Para suprir essas deficiências, a advogada defende a expansão do atendimento presencial em tempo integral e aponta que a prevenção deve anteceder a ocorrência das agressões. A proposta envolve ações educativas contínuas em escolas, universidades, empresas privadas e instituições públicas, além do monitoramento rigoroso dos casos de feminicídio tentado para dimensionar o avanço da violência e impedir desfechos fatais. O governo estadual e os órgãos de segurança mantêm canais ativos para denúncias e orientações de emergência em Santa Catarina. Vítimas e testemunhas podem acionar a Polícia Militar pelo telefone 190, o Disque-Denúncia pelo 180, a Polícia Civil pelos números 181 ou (48) 98844-0083, a Defensoria Pública pelo (47) 99191-6843 e a Ouvidoria da Mulher pelo 127. O atendimento digital está disponível por meio dos formulários online do Ministério Público de Santa Catarina, do programa DefenDelas da Defensoria Pública, da Ouvidoria do Tribunal de Justiça, da plataforma “PC por Elas” e da Delegacia Virtual da Polícia Civil, além do suporte presencial em delegacias, hospitais, postos de saúde e Câmaras Municipais.

Fonte: G1 Santa Catarina

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