–:–:–
Conecte-se conosco

Racismo e intolerância religiosa atravessam debate eleitoral no Brasil

7 visualizações
Racismo e intolerância religiosa atravessam debate eleitoral no Brasil

Racismo e Intolerância Religiosa Cruzam o Debate Eleitoral no Brasil Próximo às Urnas Estudo comparativo do Idafro aponta visões opostas entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre igualdade racial, segurança pública e proteção aos povos de terreiro no pleito deste domingo. O enfrentamento ao racismo estrutural e a garantia efetiva da liberdade religiosa despacham como os grandes e urgentes desafios institucionais no Brasil, país que irá às urnas neste domingo (25) para definir rumos políticos fundamentais. Para qualificar o debate público e subsidiar o eleitorado com dados concretos, o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) elaborou e lançou uma publicação inédita que confronta diretamente as ações, propostas e diretrizes dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no que tange aos direitos humanos, à igualdade racial e ao combate à intolerância religiosa. De acordo com o minidossiê intitulado Igualdade Racial e Racismo Religioso nas Ações e Posições de Lula e Flávio, divulgado este mês e integralmente acessível na internet com a devida checagem de fontes, os candidatos apresentam projetos diametralmente opostos. Enquanto o atual presidente reconhece abertamente a discriminação racial como fator determinante para a perpetuação de desigualdades sociais no país, apresentando propostas para fortalecer medidas como ações afirmativas, regularização de territórios quilombolas e demarcação de terras indígenas, o candidato Flávio Bolsonaro nega veementemente a existência do racismo tanto em pronunciamentos públicos oficiais quanto nas diretrizes de seu programa de governo. A pesquisa realizada pela entidade detalha que o plano de governo e as declarações de Flávio Bolsonaro omitem termos cruciais para a agenda de direitos civis. Conforme aponta o levantamento do Idafro, que vasculhou sistematicamente registros do Congresso Nacional, arquivos do Palácio do Planalto, bases de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e notícias veiculadas na grande imprensa, o plano do candidato do PL deliberadamente não menciona palavras-chave fundamentais como cota, racismo, negro, preto, pardo, inclusão racial, terreiro, matriz africana, laico, intolerância ou discriminação. Outro ponto nevrálgico analisado pelo documento diz respeito à segurança pública e ao risco de impacto racial direto nas políticas de policiamento e fiscalização. O Idafro destaca que a proposta apresentada pelo candidato Flávio Bolsonaro de implementar um sistema de reconhecimento facial em larga escala acarreta sérios riscos de criminalização sistêmica da população negra. A entidade sustenta a argumentação com base em pesquisas científicas brasileiras e internacionais que comprovam taxas de erro consideravelmente maiores na identificação biométrica de rostos pretos e pardos, o que comprovadamente resulta em prisões equivocadas e abordagens policiais injustas e violentas. Em contrapartida, o instituto aponta que o programa de governo de Lula prioriza de forma explícita a proteção da juventude negra contra a violência urbana, além de estabelecer diretrizes específicas voltadas para a redução drástica das taxas de homicídios no país, estatística alarmante na qual a população negra figura sistematicamente como a principal vítima. No campo da liberdade de culto, o Idafro registra que a atual gestão federal tem demonstrado compromisso institucional com o fim do racismo religioso, exemplificado pela criação do grupo de trabalho que elaborou a política nacional para povos de terreiro em 2024. A iniciativa fortaleceu prerrogativas legais dos adeptos dessas religiões, coibindo a inviolabilidade de terreiros frequentemente alvos de invasões e depredações, além de estimular ativamente a preservação do patrimônio cultural imaterial brasileiro. Apesar dos avanços legais pontuados pelo instituto, o cenário eleitoral tem sido marcado por episódios graves de desinformação e ataques preconceituosos. O minidossiê recupera um incidente ocorrido na véspera do primeiro turno da eleição, quando o presidente Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva foram alvos de conteúdos falsos massivos. Na ocasião, imagens geradas por inteligência artificial simularam uma suposta oferenda religiosa no Palácio do Planalto, associando indevidamente a primeira-dama a rituais satânicos, além de propagarem mentiras sobre a cobrança de impostos de igrejas com o objetivo claro de desestabilizar e confundir o eleitorado cristão. O documento também cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, por ter divulgado um vídeo em que Lula aparece no interior de um terreiro, ocasião em que recebia uma homenagem oficial, para questionar publicamente a fé e a idoneidade religiosa do chefe do Executivo. Para o Idafro, esse uso estigmatizante de peças de comunicação atinge diretamente e de forma violenta os povos de terreiro, mesmo quando o alvo político declarado da campanha de desinformação é um candidato específico, independentemente de quem venha a ser o beneficiário eleitoral da estratégia. Diante do levantamento e das críticas contidas na publicação, a campanha do senador Flávio Bolsonaro foi procurada formalmente para se manifestar sobre os apontamentos do estudo, tendo o espaço mantido aberto para registrar eventuais novos posicionamentos oficiais. O debate ocorre em um contexto demográfico complexo: o panorama religioso brasileiro é amplamente diverso, composto por uma maioria de católicos que somam 57%, evangélicos representando 27%, pessoas sem religião totalizando 9% e adeptos de religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, correspondendo a 1%, todos sob a salvaguarda jurídica de um Estado formalmente laico garantido pela Constituição Federal. A urgência do debate é corroborada por dados oficiais alarmantes do Disque Direitos Humanos, o Disque 100, canal gerido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o serviço gratuito e de atendimento imediato, que funciona ininterruptamente 24 horas por dia, registrou um total de 2.774 denúncias formais de casos de intolerância religiosa em todo o território nacional, escancarando a necessidade imperiosa de políticas públicas rigorosas de proteção e conscientização.

Fonte: Últimas notícias agência Brasil

Mais em Ultimas Notícias

Ver tudo →

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.