Fim da escala 6×1 na construção civil pode encarecer obras e dificultar acesso à casa própria, aponta entidade Setor projeta necessidade de contratação imediata de quase 300 mil trabalhadores para cobrir o déficit de horas gerado pela mudança na jornada de trabalho. O debate sobre o fim da escala de trabalho de seis dias de labor por um de descanso ganhou contornos econômicos complexos para um dos setores mais tradicionais da economia brasileira. Entidades representativas da construção civil estimam que a eventual extinção do modelo 6×1 provocará um encarecimento generalizado dos custos de obras em todo o país, além de impor barreiras adicionais ao sonho da casa própria para milhões de brasileiros. A projeção técnica indica que a reestruturação da jornada exigirá a contratação imediata de 288 mil novos trabalhadores apenas para compensar os impactos operacionais decorrentes da redução da carga horária semanal. A avaliação do setor civil aponta que a diminuição das horas trabalhadas por colaborador, caso a mudança seja implementada, quebra a dinâmica atual dos canteiros de obras, onde a produtividade e o ritmo construtivo dependem de frentes de trabalho ativas durante os sábados. Para manter o mesmo volume de entregas e cronogramas contratuais, as construtoras e incorporadoras se viam obrigadas a expandir o quadro de pessoal. No entanto, a absorção desse contingente expressivo de quase 288 mil profissionais esbarra em gargalos estruturais já conhecidos no mercado de trabalho nacional, como a escassez de mão de obra qualificada e o encarecimento dos encargos trabalhistas. O reflexo direto dessa equação recai sobre o consumidor final. Com o aumento expressivo nos custos com folha de pagamento e a necessidade de diluir despesas operacionais em um cenário de menor produtividade por trabalhador, a tendência natural apontada pelo setor é a alta nos preços dos imóveis residenciais e comerciais. Esse encarecimento do metro quadrado, somado a possíveis ajustes nas taxas de financiamento e à própria conjuntura macroeconômica, tende a comprimir o poder de compra das famílias, tornando o acesso à casa própria um objetivo ainda mais distante para a parcela da população de menor renda. A necessidade de contratação de 288 mil trabalhadores também acende um alerta sobre a logística e a capacidade de absorção do mercado de trabalho formal. Especialistas do setor reforçam que a construção civil já enfrenta dificuldades crônicas para preencher vagas operacionais e técnicas, o que pode gerar atrasos nos cronogramas de grandes empreendimentos de infraestrutura e habitação popular. Enquanto sindicatos e trabalhadores defendem a revisão da escala 6×1 em busca de melhor qualidade de vida e tempo livre, empresários e entidades patronais buscam alternativas de diálogo para mitigar o impacto financeiro e evitar que a conta final seja integralmente repassada para o preço dos imóveis no mercado imobiliário brasileiro.
Fonte: Polícia SC







