Queimadas no Amazonas: Governo federal rebate críticas e detalha força-tarefa com 11 aeronaves Ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional afirma que ajuda da União foi liberada no mesmo dia em que o estado decretou emergência; poluição do ar atinge níveis críticos em Manaus. A atuação conjunta do governo federal no combate à severa onda de queimadas que atinge o Amazonas foi condicionada à formalização do decreto de estado de emergência por parte da administração estadual, segundo afirmou o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, durante coletiva de imprensa realizada neste domingo (11), em meio a um cenário crítico de poluição do ar na capital Manaus. A operação coordenada pela União reúne diferentes ministérios, brigadistas, equipes de saúde e as Forças Armadas, mobilizando atualmente 11 aeronaves para conter os incêndios florestais agravados pelo fenômeno climático El Niño e pela estiagem severa. De acordo com o Painel do Clima, plataforma mantida pelo governo amazonense, o estado acumula 6.901 focos de calor entre o dia 1º de outubro e este domingo, o que representa um salto de 91,38% em relação ao mesmo período do ano passado. As regiões mais impactadas são o sul do estado, com 3.485 registros, e a área metropolitana de Manaus, com 1.655 ocorrências. Durante a coletiva, o ministro Waldez Góes respondeu às declarações do comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, que havia afirmado em uma emissora de televisão que o governo federal estaria negando auxílio ao estado. O titular da Integração e do Desenvolvimento Regional argumentou que a legislação brasileira exige a formalização da situação de emergência pelos municípios e pelo estado para que a União possa atuar de forma legal e direta com envio de recursos e equipes. Segundo o ministro, o reconhecimento sumário da medida pelo governo federal ocorreu no mesmo dia da decretação estadual, com a devida publicação no Diário Oficial da União. Para Góes, o momento de crise exige união e foco na população, rechaçando a politização do problema e direcionando críticas à postura do comando estadual dos bombeiros ao sugerir que a prioridade deveria ser o combate direto às chamas em parceria com as brigadas e defesas civis. A força-tarefa federal envolve, além do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Defesa Civil Nacional, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde, o Ministério de Minas e Energia e as Forças Armadas. Entre os reforços que chegaram ao estado neste domingo estão dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira, cujas operações de combate aéreo ao fogo foram programadas para iniciar na segunda-feira. A estrutura montada também inclui o deslocamento da Força Nacional do SUS para reforçar o atendimento médico à população afetada pela fumaça e o trabalho do Ministério de Minas e Energia para assegurar o abastecimento de combustíveis em comunidades isoladas. O ministro também pontuou que, há mais de 30 dias, o governo federal promoveu oficinas de preparação com autoridades estaduais e municipais para antecipar os riscos associados ao El Niño e à estiagem na região. Uma inspeção aérea programada para o domingo precisou ser cancelada devido às condições meteorológicas desfavoráveis e à baixa visibilidade causada pela fumaça. Enquanto a mobilização de combate ao fogo avança, a qualidade do ar em Manaus atingiu patamares alarmantes, gerando impactos diretos na rotina da população. Dados apresentados no briefing técnico apontam que a concentração de material particulado fino atingiu 196,4 microgramas por metro cúbico nas primeiras horas de sábado, índice classificado como péssimo. Embora o índice tenha apresentado recuo para a faixa moderada no início da noite, boletins da Defesa Civil Municipal indicaram riscos contínuos de novos episódios de fumaça densa, que pode agravar quadros respiratórios e provocar irritações em crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Diante do cenário de degradação ambiental e dos riscos à saúde pública, a Prefeitura de Manaus determinou a suspensão de todas as atividades e eventos ao ar livre promovidos pela administração municipal ao longo do domingo e da segunda-feira. A medida afetou programações em espaços públicos como as Faixas Liberadas, o Parque Cidade da Criança, a Orla da Glória, o Parque Gigantes da Floresta e a tradicional Feirinha do Boi Manaus, prevista para ocorrer no Sambódromo e na Avenida do Samba. A prefeitura informou que a retomada gradual das agendas públicas dependerá exclusivamente da melhora nos indicadores de qualidade do ar monitorados pelos órgãos técnicos.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







