Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas: Bahia, Botafogo e Internacional disputam categoria contra o feminicídio Premiação inédita no esporte brasileiro reconhece iniciativas de clubes da elite nacional no combate à violência de gênero e destaca o papel social do futebol. Bahia, Botafogo e Internacional são os grandes finalistas da categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas 2026. A iniciativa diferencia a premiação de outras do calendário esportivo nacional ao abrir espaço para reconhecer e dar visibilidade às ações de clubes da elite do futebol brasileiro no enfrentamento à violência de gênero e ao assédio. O vencedor será anunciado em cerimônia oficial marcada para o próximo dia 15 de novembro, no Museu do Futebol, em São Paulo, evento que também revelará os ganhadores de categorias como Craque da Torcida, Jogadora Revelação, Melhor Treinador ou Treinadora, Melhor Jogadora, Artilheira, Gol Mais Bonito, Melhor Departamento de Futebol Feminino e Seleção da Temporada. A escolha dos finalistas foi realizada por meio do voto de um júri exclusivamente feminino, composto por jornalistas, comunicadoras, personalidades e profissionais que acompanham o esporte ou atuam em pautas ligadas à igualdade de gênero. A diversidade de experiências do grupo permitiu avaliar as iniciativas dos clubes tanto pelo prisma esportivo quanto pelo impacto e relevância social. O avanço dessas pautas no futebol ocorre em um cenário alarmante revelado pelo estudo Retrato dos Feminicídios no Brasil, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado em março deste ano. O levantamento aponta que 1.568 mulheres foram vítimas de crimes de gênero ao longo de 2025, o que representa um assassinato a cada cinco horas e 36 minutos, com um aumento de 4,7% em relação a 2024. A maioria das vítimas é negra, representando 62,6% dos casos, concentrando-se principalmente na faixa etária entre 30 e 39 anos. Além disso, dados da mesma publicação referentes ao período entre 2021 e 2024 mostram que 66,3% dos feminicídios aconteceram dentro da casa da própria vítima, e mais de 80% foram cometidos por parceiros íntimos atuais ou antigos. Entre os finalistas, o Esporte Clube Bahia construiu uma trajetória de forte engajamento na pauta ao longo da temporada. No início do ano, o clube aderiu à campanha Feminicídio Zero, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo estadual da Bahia. Antes de uma partida contra o Galícia na Arena Fonte Nova, pela terceira rodada do Campeonato Baiano masculino, o Tricolor exibiu faixas de conscientização, os jogadores entraram em campo com camisas roxas alusivas à campanha e uma unidade móvel de atendimento foi posicionada do lado de fora do estádio para oferecer acolhimento e orientações sobre serviços de proteção. Posteriormente, no Brasileirão masculino, o clube lançou a ação Terceiro Tempo em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas e uma agência de publicidade. A iniciativa buscou alertar o público sobre o aumento nos registros de agressão de gênero em dias de jogos, fundamentada pelo estudo Futebol e Violência contra a Mulher, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que aponta um crescimento de 27,4% nas ameaças e de 28,8% nos casos de lesão corporal por violência doméstica nessas datas. Como desdobramento, após a partida contra o Internacional em agosto, na Fonte Nova, um grupo de mulheres permaneceu na arquibancada sob um letreiro que exibia a frase que sintetizava a campanha sobre a segurança nos estádios. O Botafogo, por sua vez, concorre ao prêmio amparado por ações consolidadas como o projeto A Hora Delas, implementado em 2022 para valorizar a presença feminina no futebol. O Estádio Nilton Santos tornou-se pioneiro no Rio de Janeiro ao estabelecer um posto permanente para receber denúncias de assédio e violência de gênero durante as partidas, contando com o apoio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, do Juizado Especial Criminal e de equipes de segurança devidamente treinadas pelo clube. O nome da iniciativa também foi estampado em camisas especiais utilizadas pelo time em partidas oficiais. Uma das ações mais marcantes do clube carioca ocorreu em novembro do ano passado, durante partida contra o Corinthians na Neo Química Arena, pelo Brasileirão masculino. Os dois clubes uniram-se em uma iniciativa na qual os números nas costas dos uniformes dos atletas foram redesenhados a partir de radiografias reais de mulheres agredidas, enquanto a barra frontal da camisa trazia a pergunta “quem matou?” acompanhada pelos nomes de mais de 40 vítimas de feminicídio. Representando a região Sul, o Sport Club Internacional fundamenta sua indicação em um histórico de pioneirismo e em ações recentes de forte impacto visual e comunitário. O clube destaca-se por ter registrado a primeira sócia mulher do país em 1918 e, em 2025, aderiu ao movimento internacional Banco Vermelho, instalando no complexo do Beira-Rio, em Porto Alegre, um banco pintado para simbolizar o sangue derramado pelas vítimas e servir como ponto de reflexão e alerta aos visitantes. A agenda de conscientização do Colorado incluiu ainda a realização do evento Mulheres na Arquibancada e o Combate ao Feminicídio, promovido pelo núcleo feminino da torcida Guarda Popular em parceria com o clube, permitindo ao público acompanhar relatos de vítimas e palestras com especialistas. Na decisão do último Campeonato Gaúcho masculino, em março, Inter e Grêmio entraram em campo exibindo mensagens de combate à violência contra a mulher e divulgando o número do Disque-Denúncia, enquanto os telões do Beira-Rio exibiram um placar simbólico com o número de feminicídios registrados no estado naquele período como forma de choque e alerta público.
Fonte: Últimas notícias agência Brasil







