Pix B2B: boleto bancário ainda domina 72% das transações entre empresas no Brasil Apesar da popularização instantânea do Pix, o tradicional boleto bancário segue soberano nas transações financeiras corporativas, respondendo por quase 73% das operações analisadas no mercado nacional. O boleto bancário continua sendo o principal meio de pagamento nas transações comerciais entre empresas no Brasil, mesmo com a revolução tecnológica trazida pelo Pix nos últimos anos. É o que aponta um levantamento exclusivo realizado pela Qive, plataforma de gestão e inteligência fiscal, que revelou que os boletos ainda respondem por impressionantes 72,96% de todas as operações financeiras analisadas em sua base corporativa. Em contrapartida, o Pix, que transformou a rotina de pagamentos de pessoas físicas e pequenas transações comerciais, registra uma participação de apenas 2,03% no volume total de pagamentos B2B (business-to-business) mapeados pela empresa. O cenário demonstra que a digitalização completa do setor corporativo brasileiro caminha em ritmo próprio e encontra barreiras operacionais específicas quando se trata de grandes somas e processos logísticos empresariais. A preferência contínua pelo boleto bancário nas relações entre empresas não é acidental e está ligada a uma série de facilidades burocráticas e de planejamento financeiro que o formato tradicional oferece. Diferente do Pix, que exige liquidação imediata, o boleto permite que os departamentos financeiros programem o fluxo de caixa com datas de vencimento específicas, conciliem notas fiscais com maior previsibilidade e utilizem prazos para a gestão do capital de giro. Além disso, muitas empresas possuem sistemas de gestão empresarial, os chamados ERPs, profundamente integrados com a emissão e a baixa automática de boletos, o que garante rastreabilidade e segurança jurídica em transações de alto valor. Para o setor corporativo, a mudança de hábito envolve não apenas a vontade de adotar uma tecnologia mais rápida, mas a reformulação de processos contábeis e de compliance que levam tempo para serem adaptados e validados por fornecedores e clientes. Por outro lado, o percentual de pouco mais de 2% registrado pelo Pix nas operações mapeadas pela Qive indica que há um vasto mercado a ser explorado e que a transação instantânea ainda precisa evoluir em funcionalidades voltadas especificamente para o ambiente corporativo. Ferramentas como o Pix Cobrança e o Pix Garantido buscam justamente preencher essa lacuna, oferecendo às empresas a possibilidade de programar recebimentos futuros e manter a conciliação automatizada de forma similar ao boleto, mas com a vantagem da liquidação em tempo real. Enquanto essas inovações ganham maturidade e tração no ecossistema de pagamentos, o boleto bancário mantém sua posição de liderança absoluta no mercado B2B brasileiro. A transição digital nas empresas, portanto, mostra-se um processo gradual, onde a conveniência, a segurança jurídica e a adaptação dos softwares de gestão pesam tanto quanto a velocidade na hora de quitar uma fatura comercial.
Fonte: Economia SC







