Futebol e causa animal: como Criciúma resolveu o impasse dos gatos no Heriberto Hülse Reunião entre diretoria do Criciúma Esporte Clube, Conselho Municipal de Saúde e protetores estabelece parceria com clínica veterinária para triagem, castração e adoção responsável dos animais que viviam no estádio. Uma solução conjunta envolvendo o Criciúma Esporte Clube, o Conselho Municipal de Saúde, organizações de proteção animal e o Núcleo de Bem-Estar Animal (Nubea) definiu, na tarde desta quinta-feira (22), em Criciúma, os encaminhamentos para o bem-estar dos gatos que habitam há anos as dependências do Estádio Heriberto Hülse. O encontro buscou sanar um impasse que opunha protetores independentes e a gestão do clube catarinense, conciliando a proteção dos animais com as exigências sanitárias obrigatórias para a liberação de partidas de futebol no local. A polêmica havia se instalado porque a permanência dos felinos nas instalações do estádio vinha sendo apontada pela direção do clube como um obstáculo para a obtenção de laudos, alvarás e autorizações legais exigidas para a realização dos jogos. Por outro lado, alimentadores voluntários e ativistas da causa animal defendiam a segurança e a integridade dos bichos, criando um cenário de divergências que exigiu a intervenção do poder público e de conselhos municipais para mediar o conflito. O principal eixo da resolução firmada durante a reunião é a parceria formalizada entre o Criciúma Esporte Clube e a Clínica Veterinária Alvet, que participou das negociações. Pelo acordo comercial que será pactuado pelo clube, protetores independentes e ONGs assumiram a responsabilidade operacional de localizar, monitorar e capturar os gatos que circulam pelas dependências do estádio. Após a captura, os animais serão encaminhados diretamente à clínica veterinária parceira. No local, passarão por uma triagem completa que incluirá avaliação clínica, procedimentos de castração, vacinação, administração de medicamentos necessários e o devido acompanhamento durante o período de recuperação pós-operatória. O objetivo final do fluxo estabelecido é encaminhar todos os animais recuperados para processos de adoção responsável, assegurando qualidade de vida e um lar adequado. Para garantir que todas as etapas sejam cumpridas de forma transparente e organizada, o encontro também deliberou pela criação de uma comissão mista de acompanhamento. Este grupo será encarregado de articular a relação diária entre o clube, as entidades protetoras e os voluntários, além de definir um espaço provisório e adequado para a alimentação dos gatos enquanto durar a transição de captura e tratamento veterinário. Júlio Zavadil, presidente do Conselho Municipal de Saúde de Criciúma, avaliou o desfecho das negociações de forma bastante otimizada. Para ele, o diferencial foi a abertura ao diálogo demonstrada por todas as partes envolvidas, o que permitiu desenhar uma rota alternativa para um problema que vinha gerando atritos na cidade. Segundo Zavadil, o foco principal foi alcançado ao respeitar simultaneamente a integridade dos animais e as necessidades estruturais e burocráticas do clube esportivo, restando agora o esforço coletivo para a efetivação prática das medidas pactuadas. Pelo lado da instituição esportiva, Paulo Cesar Bittencourt fez questão de esclarecer o posicionamento oficial da diretoria tricolor, enfatizando que a entidade nunca adotou uma postura contrária à causa animal ou aos felinos presentes na praça esportiva. De acordo com o representante do clube, o entrave restringia-se estritamente à obrigatoriedade legal de cumprir normas sanitárias rigorosas para garantir a emissão de laudos e alvarás fundamentais para a abertura dos portões aos torcedores, reforçando que a parceria firmada representa uma saída equilibrada, responsável e pautada no respeito à vida animal.
Fonte: TNSul







