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Como ‘pesca fantasma’ impacta fauna marinha? Pesquisa recolhe redes abandonadas em praias de SC para entender

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Como 'pesca fantasma' impacta fauna marinha? Pesquisa recolhe redes abandonadas em praias de SC para entender

Pesca fantasma: pesquisa em Santa Catarina recolhe redes abandonadas para avaliar impacto na fauna marinha Estudo conduzido por universidade no Sul catarinense mapeia dezenas de fragmentos de redes perdidas no litoral e alerta para o risco iminente de mortalidade de animais, incluindo espécies ameaçadas de extinção. Uma investigação acadêmica desenvolvida no litoral de Santa Catarina está jogando luz sobre um dos problemas mais silenciosos e perigosos para a biodiversidade oceânica: a chamada pesca fantasma. O fenômeno ocorre quando redes, linhas e outros petrechos de pesca são perdidos ou abandonados no mar ou em rios, mas continuam capturando e matando animais de forma ininterrupta, mesmo na ausência de pescadores. O estudo é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da estudante Nicole Pereira de Moura, do curso de ciências biológicas da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), situada em Criciúma. Moradora de Torres, cidade gaúcha localizada na divisa com o território catarinense, a pesquisadora decidiu investigar o tema após se deparar repetidamente com apetrechos descartados durante suas caminhadas pela orla. A presença massiva desses resíduos plásticos e náuticos gera profunda apreensão entre especialistas ambientais. No Sul catarinense, a preocupação se multiplica devido à presença dos botos-de-Lahille, espécie classificada como ameaçada de extinção que registrou um retorno marcante à região após duas décadas de ausência. De acordo com a estudante, a pesca fantasma representa uma ameaça emergente e de proporções globais. O problema afeta diretamente uma vasta gama de organismos marinhos e dulceacuícolas, incluindo peixes, tartarugas, invertebrados e grandes mamíferos, a exemplo de baleias e golfinhos. Nicole destaca que o perigo não se restringe à água. Redes que ficam encalhadas na areia da praia podem ser puxadas de volta para o mar durante episódios de ressaca, reiniciando o ciclo letal de captura passiva. Da mesma forma, os apetrechos perdidos diretamente no ambiente aquático mantêm sua capacidade destrutiva intacta por longos períodos. Para mensurar a gravidade da situação, a estudante e seu orientador, o professor Rodrigo Machado, adotaram uma rotina de campo rigorosa. Desde abril, a dupla percorre mensalmente um trecho de um quilômetro de praia localizado entre a foz do Rio Mampituba e a barra do Rio Araranguá. Durante o trajeto, os pesquisadores contabilizam os apetrechos encontrados, registram detalhadamente suas características e verificam se há animais presos aos fragmentos. Ao longo dos meses de monitoramento, o levantamento já catalogou mais de 100 fragmentos de redes de pesca espalhados pelo litoral sul do estado. Em uma das incursões recentes, a equipe se deparou com uma rede inteira que continha 11 siris e seis peixes mortos ou presos, uma evidência concreta e imediata do funcionamento da pesca fantasma no litoral catarinense. O foco da pesquisa ganha ainda mais relevância pelo contexto ecológico da região. O trecho monitorado abriga populações dos botos-de-Lahille, monitorados de perto em parceria com o projeto Botos de Araranguá, também executado pela Unesc. Segundo o professor Rodrigo Machado, esses animais habitam majoritariamente a cidade de Passo de Torres, na divisa com o Rio Grande do Sul, mas intensificam sua circulação por outros municípios do Sul catarinense durante os meses mais quentes do ano, aumentando a exposição ao risco das redes perdidas. A expectativa central dos autores da pesquisa é que os dados coletados sirvam de base técnica para a formulação de políticas públicas voltadas à limpeza costeira, ações de prevenção e campanhas de conscientização ambiental voltadas para a comunidade pesqueira e a sociedade. Embora seja difícil mensurar diretamente o potencial exato de captura de cada rede encontrada, a exposição pública desses resultados permite cruzar os dados com registros históricos de emalhamento da espécie na região, fundamentando a urgência de medidas protetivas para o ecossistema marinho local.

Fonte: G1 Santa Catarina

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