Adolescente baleado por amigo em Chapecó deixa UTI e está comunicativo, diz secretaria Vítima foi atingida no rosto por disparo feito com a pistola do pai do atirador, que era colecionador de armas; autor do tiro está internado provisoriamente e caso é tratado pela Justiça. O adolescente de 13 anos que foi baleado pelo melhor amigo, da mesma idade, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, apresenta quadro de saúde estável, está comunicativo e deve deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para ser transferido para um quarto do Hospital Regional do Oeste (HRO). A atualização sobre o estado de saúde foi divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde, trazendo um alívio para familiares e equipes médicas que acompanham o caso desde o último sábado, quando ocorreu a tragédia. O disparo que atingiu a vítima na região do rosto aconteceu na casa do adolescente que efetuou o tiro, durante uma reunião entre amigos. De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o garoto teria se irritado com a bagunça no local, pegado uma pistola pertencente ao próprio pai e disparado contra o amigo. A arma utilizada no crime é uma pistola Taurus PT92, que estava guardada em um local de fácil acesso dentro da residência. No momento do fato, o pai do adolescente, que é registrado como colecionador, atirador desportivo e caçador, não estava no imóvel e acabou sendo autuado em flagrante por omissão de cautela. Além da pistola que feriu o adolescente, as diligências policiais realizadas no local resultaram na apreensão de uma carabina Puma calibre .357, além de diversos carregadores e centenas de munições. O caso gerou grande repercussão na região e levou a uma rápida movimentação dos órgãos de segurança e da Justiça catarinense para apurar as responsabilidades tanto na esfera criminal quanto no âmbito infracional. A vítima foi socorrida imediatamente após o disparo em estado grave, precisando ser submetida a um complexo procedimento neurocirúrgico no hospital. Desde então, vinha recebendo cuidados intensivos até apresentar a melhora clínica que permitiu a sua saída da UTI. Emocionada, a mãe do adolescente baleado relatou anteriormente que seu coração já perdoou o amigo do filho, destacando a complexidade emocional que envolve a amizade rompida por um descuido fatal. O autor do disparo foi apreendido e internado provisoriamente, respondendo a um procedimento investigativo por ato infracional análogo à tentativa de homicídio. Como a legislação brasileira estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, o caso é tratado sob as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, que prevê medidas socioeducativas e de proteção integral em situações dessa natureza. O Ministério Público atuou de forma incisiva no caso, solicitando a manutenção da internação provisória do adolescente com base na existência de indícios sólidos de autoria e materialidade, além da extrema gravidade do crime. O órgão ministerial pontuou que medidas mais brandas seriam insuficientes diante das circunstâncias do ocorrido e requereu formalmente uma avaliação psicossocial, acompanhamento psicológico contínuo para o jovem internado e suporte terapêutico para os pais. Os pedidos foram integralmente aceitos pela Justiça. Por sua vez, a defesa da família do adolescente autor do disparo emitiu nota oficial expressando profunda solidariedade à vítima e aos seus familiares, classificando o episódio como uma tragédia decorrente de um acidente. Segundo os advogados, os dois jovens eram melhores amigos e inseparáveis, e o disparo teria ocorrido de forma acidental durante um momento de brincadeira, sem qualquer intenção de ferir. A defesa destacou ainda que foi o próprio garoto que manuseava a arma quem buscou socorro desesperadamente junto aos vizinhos logo após o tiro, encontrando-se desde então em estado de choque e inconsolável. A família informou que recebe com serenidade a decisão judicial de internação e confia na Justiça para o esclarecimento total dos fatos.
Fonte: G1 Santa Catarina







