Liderança nacional em algas: Santa Catarina debate plano estratégico para a próxima década Com produção de 751 toneladas em 2024, estado convoca produtores e especialistas para oficinas presenciais em Itajaí e Florianópolis com o objetivo de estruturar o crescimento sustentável da algicultura até 2037. Santa Catarina consolidou sua posição de maior produtora de algas do Brasil ao atingir 751 toneladas no último ano e agora busca garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor para a próxima década. Por meio do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca, a Epagri está coordenando a elaboração do Plano Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável da Algicultura Catarinense 2027–2037. Para construir o documento de forma colaborativa, o órgão estadual programou duas oficinas presenciais voltadas ao setor produtivo neste mês de outubro, ocorrendo no dia 9 em Itajaí e no dia 23 em Florianópolis, sempre das 8h às 12h, nos centros de treinamento da instituição em cada município. A ascensão da atividade no litoral catarinense começou em 2021 como uma estratégia de diversificação para a maricultura familiar. O cultivo atual foca na espécie Kappaphycus alvarezii, originária das Filipinas, que se adaptou bem às águas marítimas da região. Esta macroalga serve como matéria-prima versátil para diferentes indústrias, encontrando aplicações na fabricação de bioinsumos agrícolas, na alimentação animal e na formulação de cosméticos. Durante os encontros presenciais, os participantes terão acesso a uma síntese do diagnóstico atual do setor e à estratégia preliminar desenhada para a algicultura catarinense. A programação prevê debates diretos sobre metas, ações prioritárias, preenchimento de lacunas operacionais e a avaliação do papel que cada instituição deve desempenhar na implementação efetiva do Plano até 2037. As inscrições para as oficinas já estão abertas e podem ser feitas online. Produtores e interessados que não puderem comparecer aos eventos em Itajaí e Florianópolis também poderão participar do processo de construção do documento. A minuta completa foi disponibilizada no site oficial do Plano, acompanhada de um formulário digital para o envio de sugestões. Todas as contribuições recebidas serão sistematizadas e avaliadas pela equipe técnica responsável pela redação final, garantindo que a visão de longo prazo reflita as reais necessidades da cadeia produtiva. O rápido avanço da maricultura de macroalgas no estado traz desafios estruturais que exigem planejamento rigoroso. Segundo o pesquisador Felipe Matarazzo Suplicy, organizador da versão preliminar do documento, o setor tem se desenvolvido em ritmo acelerado, mas esbarra em gargalos complexos relacionados ao mercado, à oferta regular de mudas, à organização institucional dos produtores e à disputa pela ocupação do espaço marítimo. Para Suplicy, a ampla participação social é indispensável justamente por se tratar de uma atividade econômica recente, cuja consolidação depende de bases sólidas e corretas. Os números refletem essa expansão vertiginosa. O número de produtores saltou de apenas quatro em 2022 para 22 em 2023, alcançando a marca de 52 algicultores entre 2024 e 2025. Atualmente, a atividade está distribuída em nove municípios catarinenses, com maior concentração nos litorais de Florianópolis e Palhoça. O impacto econômico também impressiona, com o valor das vendas saltando de R$ 204,6 milhões em 2022 para R$ 2,1 bilhões em 2024. Santa Catarina reúne condições ambientais favoráveis, sólido conhecimento técnico, alta capacidade científica e uma cadeia produtiva em franco desenvolvimento, cenário que abre oportunidades para transformar o estado em referência nacional de inovação no setor. Mais do que elevar os volumes colhidos, a estratégia traçada pela Epagri busca desenhar um futuro onde a algicultura catarinense seja competitiva, inclusiva, ambientalmente responsável e capaz de manter sua capacidade inovadora ao longo da próxima década. As oficinas presenciais acontecem em duas datas estratégicas. Em Itajaí, o encontro será realizado na sexta-feira, dia 9 de outubro, das 8h às 12h, no Centro de Treinamento de Itajaí, conhecido como CETREI, localizado na Rodovia Antônio Heil, número 6800, no bairro Itaipava. Já em Florianópolis, a oficina ocorrerá na sexta-feira, dia 23 de outubro de 2026, no mesmo horário, nas dependências do Centro de Treinamento de Florianópolis, o CETRE, situado na Rodovia Admar Gonzaga, número 1188, no bairro Itacorubi.
Fonte: noticias sc







