Voto feminino volta a ser alvo de contestação na internet: estudo da FGV expõe ofensiva em redes Levantamento analisou 126 publicações em 18 grupos abertos do Telegram e revelou a articulação de discursos contra os direitos políticos das mulheres Quase um século após ser formalmente garantido no Brasil, o direito ao voto feminino voltou a ser alvo de questionamentos e ataques articulados em ambientes digitais. Um estudo conduzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou como narrativas que rejeitam a participação eleitoral das mulheres são elaboradas e ganham tração em comunidades virtuais da chamada “machosfera”. Para mapear a circulação dessas ideias, a pesquisa da instituição analisou 126 publicações disseminadas em 18 comunidades abertas do aplicativo de mensagens Telegram. O levantamento identificou a lógica de construção desses discursos e a forma como eles são compartilhados entre os usuários da plataforma. Segundo os dados da FGV, os argumentos contrários ao sufrágio não se limitam a ofensas isoladas, mas compõem um esforço coordenado para relacionar o voto das mulheres a crises sociais e disputas políticas contemporâneas. As teses tentam culpabilizar o eleitorado feminino pelos resultados das urnas e por transformações culturais recentes. O material monitorado pelos pesquisadores circula dentro de um ecossistema digital que reúne fóruns, canais e grupos marcados pelo antifeminismo e pela propagação de conteúdos misóginos. Nesses espaços, a contestação de direitos consolidados é frequentemente normalizada e incentivada entre os membros. A pesquisa aponta que essas teses se alimentam diretamente do clima de polarização, inserindo o ataque às garantias civis femininas em narrativas ideológicas mais amplas. A estratégia visa engajar o público e converter ressentimentos de gênero em posicionamentos políticos explícitos. O avanço desse tipo de retórica resgata debates que pareciam superados desde os anos 1930, quando o Código Eleitoral brasileiro reconheceu o voto das mulheres. O estudo da FGV reforça a necessidade de monitorar canais de comunicação com baixa moderação, que se tornaram terreno fértil para a difusão de teses antidemocráticas.
Fonte: Polícia SC







