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Mulheres com medida protetiva mudam local de voto em SC

Projeto pioneiro em Santa Catarina protege vítimas de violência doméstica no dia das eleições e já desperta interesse nacional.

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‘Ele sabia onde eu ia votar’: eleitora com medida protetiva muda local de votação em iniciativa inédita em SC

Pela primeira vez em Santa Catarina, 35 mulheres que possuem medidas protetivas de urgência conseguiram transferir seus locais de votação para garantir segurança contra seus agressores durante o pleito.

A ameaça no dia da eleição

A iniciativa inédita foi viabilizada por meio da Transferência Temporária de Eleitores. Uma das beneficiadas relatou o alívio de poder participar da votação sem o temor de cruzar com o ex-marido, que sabia exatamente onde ela costumava votar.

“De eu pensar que eu ia votar naquele lugar e ele sabia onde é que eu ia votar. E ele ia ficar lá o dia inteiro pra me pegar, em sei disso”, contou a eleitora.

Com a alteração garantida pela Justiça Eleitoral catarinense, ela celebrou a conquista do direito de participar do processo democrático sem riscos: “Agora não tenho medo, porque ele nem imagina que eu tô votando naquela zona. Então eu vou tranquila”. E acrescentou: “Meu voto também vai estar lá. É importantíssimo. Fazer parte da cidadania”.

Articulação entre órgãos de segurança e Justiça

O projeto nasceu da cooperação entre a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Tribunal de Justiça, conforme explicou Renata Fávere, secretária da Corregedoria Regional Eleitoral do TRE-SC. O estado contabiliza mais de 18 mil medidas protetivas emitidas até julho, evidenciando a relevância da ação preventiva.

“O número pode parecer pequeno, mas são 35 mulheres que estavam se sentindo inseguras e que eventualmente nem iriam votar porque se sentem ameaçadas”, pontuou Renata Fávere.

A divulgação ativa coube à Polícia Militar através da Rede Catarina, que acompanha vítimas de violência. A capitã Karla Medeiros destacou o engajamento das equipes na orientação das mulheres: “Todas as policiais da Rede Catarina informaram pra essas vítimas, deram as orientações, o que elas precisavam levar”.

Para a capitã, a ação vai além da conveniência e atua diretamente na preservação da integridade física: “A gente não pode esperar que um novo episódio de violência ocorra para que a gente pense em alternativas, em soluções. Então, essa medida traz uma verdadeira prevenção”.

Expansão nacional da iniciativa

O sucesso do projeto catarinense atraiu a atenção de tribunais eleitorais de estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Acre e do Distrito Federal. A intenção do TRE-SC é apresentar a proposta ao Tribunal Superior Eleitoral para consolidar o mecanismo em âmbito nacional.

“Isso passe a ser uma rotina, a cada eleição, oferecer esse serviço às mulheres”, concluiu Renata Fávere.

O esquema de segurança para o dia da votação contará com plantões permanentes e canal direto com autoridades policiais, assegurando a tranquilidade tanto para quem solicitou a transferência quanto para as demais eleitoras em situação de vulnerabilidade.

Fonte: G1 Santa Catarina

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