Embora plataformas digitais voltadas para geração de conteúdo, pesquisa e análise de dados façam parte do cotidiano corporativo, a mera contratação desses softwares não assegura um salto automático de eficiência. A verdadeira vantagem competitiva surge quando as equipes aprendem a incorporar essas inovações aos processos de negócio de maneira estruturada.
O obstáculo entre disponibilizar softwares e colher resultados
Ao receberem acesso irrestrito a novos recursos sem qualquer diretriz, muitos colaboradores acabam limitados a comandos simples ou sequer compreendem onde a inteligência artificial agrega valor às suas funções diárias.
“Não adianta simplesmente dar a licença de uma ferramenta de inteligência artificial para o colaborador e esperar que ele descubra sozinho como aquilo pode melhorar o trabalho. Existe uma curva de aprendizado e, principalmente, é preciso mostrar as possibilidades de aplicação dentro da realidade de cada área”, explica o consultor de Inovação da SATC, Rafael Rocha.
Os diferentes níveis de maturidade no uso da IA
A adoção tecnológica acontece em fases graduais. O ponto de partida costuma ser o contato direto com modelos de linguagem e plataformas interativas populares, a exemplo de ChatGPT, Claude e Gemini. Em uma etapa mais madura, entram em cena os assistentes configuráveis, programados para executar demandas padronizadas. O patamar avançado envolve a criação de agentes de IA, capazes de gerenciar fluxos operacionais completos.
Avançar por essas etapas demanda competências que vão além de conhecer a interface de um sistema: requer saber estruturar comandos detalhados, fornecer contexto relevante e validar criticamente os dados gerados.
“A primeira camada é a ferramenta. Você precisa saber pedir, contextualizar, revisar e utilizar aquilo que ela entrega. Quando a pessoa começa a entender como estruturar esse uso, ela deixa de simplesmente experimentar a IA e passa a incorporá-la ao processo”, afirma o consultor.
Capacitação e governança no ambiente de negócios
Para que a transição ocorra sem desperdício de recursos, o treinamento focado nas dores operacionais de cada departamento torna-se indispensável.
“Quando o treinamento é conectado à realidade da empresa, a pessoa consegue enxergar onde aquela tecnologia pode economizar tempo, organizar uma atividade ou melhorar um resultado”, destaca o consultor.
Diante desse cenário, a SATC desenvolveu o Hub de IA, modelo por assinatura desenhado para guiar organizações corporativas. A metodologia é ancorada em três pilares integrados: capacitação técnica contínua, governança corporativa e desenvolvimento de aplicações práticas.
No eixo educacional, a grade aborda fundamentos, panorama de ferramentas, parametrização de assistentes virtuais e construção de agentes autônomos. Já no campo da gestão, o modelo estrutura regras de compliance e segurança da informação, permitindo validar e aprimorar projetos-piloto em menor escala antes da implementação massiva.
A estratégia conecta pesquisa acadêmica e demandas práticas do mercado durante todo o processo de diagnóstico e testes. “A relação entre inovação e mercado faz parte da atuação da SATC. No caso da inteligência artificial, queremos colocar nossa experiência em inovação, tecnologia e pesquisa à disposição das empresas para que elas possam avançar com mais segurança nesse processo de transformação”, ressalta o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da SATC, Luciano Bilessimo.
Fonte: Sul in Foco







